Rir do ridículo

Porque muitas vezes tudo que a gente quer de verdade é rir do ridículo que é um pedaço ou outro de nossas vidas.

Você é gordo? Se acha feio? Te acusam de chato, ignorante, bruto, insensível? Tem as pernas cabeludas demais para uma mulher? Sua barriga de tanquinho, sr. saradão, é daquelas ovais e murchas? Ou flácidas? Ou pontudas? Tem gente que acha que você fala demais? Fala alto demais? Um ou outro te ataca com sarcasmos mal colocados (porque até para ser sarcástico você tem de saber sê-lo) Qual é o problema? Aceite-se. Diga para todo mundo que você é assim, maravilhoso/a. Se você não se gosta, não se respeita, espera a condescendência dos outros… Sinto muito: você está fazendo do jeito errado. Está vivendo e sendo do jeito errado.

Ria de você mesmo. Há dois benefícios terapêuticos nisso. O primeiro é que rir é bom para a saúde (vejam qualquer pesquisa sobre isso no Google). O segundo é que, rindo de você, você não abre espaço para os outros rirem de você, ao contrário, você abre espaço para os outros rirem COM você. E, convenhamos, rir junto é bem mais engraçado. Até porque, alguém sempre pára de rir antes e o silêncio constrangedor depois do riso gera, nada mais, nada menos do que mais riso.

Por que não se achar inigualável no universo? Todas as pessoas são. até gêmeos são diferentes entre si (mesmo que já tenham usado a mesma roupa de marinheiro durante os dias de infância). Por que pensar que o sol não nasce para todos, mas sim para você? É verdade. O sol nunca é visto do mesmo modo por mim e por você. Acordou e viu que seus olhos estavam mais verdes, pretos ou castanhos, mais brilhantes que ontem? Ótimo. São seus olhos, não os de outra pessoa. É o que você tem. É o que você é. E daí se os outros não acham a mesma coisa dos seus olhos? Elas tem os delas. Que se enxerguem a partir deles.

Acham que sua opinião é furada? Problema! Ela é sua. Ela te faz ser quem você é, e não outra pessoa. Já imaginou se todos fossem como os alunos do filme “The Wall” do Pink Floyd? Sem rostos, caminhando para o mesmo destino (a máquina de moer, para quem não viu)? Trágico! Hoje todo mundo quer pertencer a alguma tribo, grupo, seita ou sei lá. Mas tais pessoas esquecem o essencial: se pertencerem a si mesmas.

Goste do seu corpo. Goste dos seus olhos. Goste de suas neuroses. Goste de sua risada alta e ridícula. Goste do seu andar de pato. Goste de tudo que faz você ser quem você. E se há algo que você não gosta em você, mude por você ou se acostume com o suposto defeito. Até eles fazem de você quem você é. Só não espere que outros façam isso por você. Os outros não irão fazê-lo, a menos que de fato te amem, como você deve ser amado/a e se amar.

É isso. Faça os outros rirem. Ria, também.